Este é o capítulo final da série sobre armadilhas do carro nas finanças pessoais, com mais 3 armadilhas:
Armadilha 4: Negligenciar as pequenas despesas
Problema: R$ 1,00 para o flanelinha, R$ 2,00 no estacionamento da faculdade, R$ 7,00 no lava-jato. Parece pouco, mas ao longo de um ano isso soma R$ 1.200 -- ou uma passagem aérea Brasília - Salvador de ida e volta para duas pessoas.
Solução: Anote tudo que for relacionado com o carro. Separe o dinheiro pequeno em algum lugar, de onde você só tire para isso, sem misturar com outras despesas (um envelope, ou pote qualquer).
Armadilha 5: Carro não é investimento, juros são despesas
Problema: Se você comprou um carro a prestação, as parcelas não são um "investimento". Investimento é o que rende dinheiro. Automóvel só gasta dinheiro. Pode até ser que você esteja aumentando seu patrimônio, mas isso só acontece se depois de descontados os juros e a depreciação (ver Armadilha 2), o valor for positivo.
Solução: Procure saber ou calcule quanto você está pagando de juros. Em geral, os financiamentos de veículos são feitos com a Tabela Price, onde as prestações são fixas e os juros decrescentes. Como em qualquer financiamento, em um determinado mês, o valor dos juros é a taxa multiplicada pelo saldo devedor. Não esqueça de acrescentar os itens acessórios como seguros e taxas do banco.
Exemplo: Se você pegou financiamento a 1,48% ao mês e seu saldo devedor é R$ 15.000, você precisa contabilizar R$ 222 como juros. Só o resto da prestação vai para abater sua dívida.
Bônus: Se você acredita que o valor do carro poderia estar em outro lugar, por exemplo, uma aplicação financeira, então o custo da perda desse valor deve ser também contabilizado (chama-se "custo de oportunidade"). O princípio é o mesmo: se seu carro vale R$ 15.000 e a aplicação financeira está rendendo 0,9% ao mês, você deixou de ganhar R$ 135. Deixar de ganhar e gastar são a mesma coisa.
Armadilha 6: Não esqueça de somar tudo!
Problema: Entre juros, depreciação, consertos, impostos, combustível, estacionamento... quanto custa, no final das contas, manter o seu veículo? É um preço que vale a pena?
Solução: Some tudo por no mínimo um ano. Considere o custo de soluções alternativas: quanto custa um ano de transporte público todos os dias? Quanto custa um ano de transporte público 6x por semana e táxi 1x por semana? Se vale a pena o gasto a mais ou não, é uma questão que só você pode responder.
Exemplo: Neste outro post, eu calculo preços típicos de manter um automóvel. Se você encontrar algo muito diferente, escreva para mim. Ou eu fiz contas erradas, ou você está esquecendo alguma coisa.
16 de setembro de 2009
9 de setembro de 2009
Armadilhas do carro nas finanças pessoais (2)
No meu último post, estava falando sobre as armadilhas que o carro coloca para quem quer fazer um bom orçamento e assim assumir o controle financeiro da sua vida. Hoje vou analisar 3 delas, outras 3 ficam para o próximo post. Aí vão:
Armadilha 1: Contabilizar despesas grandes só no mês do vencimento.
Problema: Despesas muito importantes relacionadas aos veículos ocorrem anualmente, e não mensalmente: IPVA e seguro, principalmente.
Solução: Guarde todo mês dinheiro que seja suficiente para essas despesas no ano seguinte. Contabilize esse montante como "despesa com automóvel" e não como "investimento". No mês do vencimento, saque e pague à vista, o que costuma render descontos.
Exemplo: Se seu seguro custa R$ 1.500 por ano e você paga R$ 600 de IPVA, comece a guardar R$ 175 por mês para essas despesas, em vez de apertar seu orçamento no mês em que elas vencem.
Armadilha 2: Carros não duram para sempre.
Problema: Como qualquer máquina, o automóvel tem uma vida econômica limitada. Portanto, você precisará estar preparado para substituí-lo.
Solução: Estabeleça em quanto tempo você vai querer trocar de carro. Some esse tempo à idade atual do seu veículo e procure nos jornais quanto vale um carro igual ao seu dessa idade. Subtraia do valor do carro que você quer comprar e divida pelo número de meses que faltam para a troca. Guarde todo mês esse dinheiro. Contabilize esse montante como "despesa com automóvel" e não como "investimento".
Exemplo: Seu carro é 2007 e você quer trocá-lo daqui a 2 anos. Procure saber quanto custa um carro equivalente, dois anos mais antigo que o seu, ou seja, 2005, e o carro equivalente ao que você quer comprar (digamos, um zero km). Se o carro zero km custa R$ 46.000 e o 2005 está por R$ 25.000, você vai precisar juntar R$ 875 por mês. A não ser que você queira pagar juros, o que, no Brasil, é sempre uma péssima ideia.
Armadilha 3: Carros quebram quando você menos espera.
Problema: Ainda que você seja um dono cuidadoso e que faça as manutenções preventivas recomendadas, você estará sujeito a surpresas desagradáveis pelo caminho. Isso pode ser imprevisível, mas é absolutamente certo. Por isso, você precisa estar preparado.
Solução: Uma poupança para emergências gerais pode dar conta do recado, mas não ajuda você a descobrir quanto custa manter o carro. E, afinal, consertos são parte integrantes de possuir um automóvel. É melhor separar esse dinheiro em uma conta específica para este fim, que pode ser a mesma dos itens anteriores. A regra geral é: para cada R$ 1,00 que você colocar em combustível, separe R$ 0,50 para óleo, pneus, revisões... e quebras. E, sim, isso significa que na prática a gasolina custa R$ 4,00 o litro. Faz a gente pensar, não?
Armadilha 1: Contabilizar despesas grandes só no mês do vencimento.
Problema: Despesas muito importantes relacionadas aos veículos ocorrem anualmente, e não mensalmente: IPVA e seguro, principalmente.
Solução: Guarde todo mês dinheiro que seja suficiente para essas despesas no ano seguinte. Contabilize esse montante como "despesa com automóvel" e não como "investimento". No mês do vencimento, saque e pague à vista, o que costuma render descontos.
Exemplo: Se seu seguro custa R$ 1.500 por ano e você paga R$ 600 de IPVA, comece a guardar R$ 175 por mês para essas despesas, em vez de apertar seu orçamento no mês em que elas vencem.
Armadilha 2: Carros não duram para sempre.
Problema: Como qualquer máquina, o automóvel tem uma vida econômica limitada. Portanto, você precisará estar preparado para substituí-lo.
Solução: Estabeleça em quanto tempo você vai querer trocar de carro. Some esse tempo à idade atual do seu veículo e procure nos jornais quanto vale um carro igual ao seu dessa idade. Subtraia do valor do carro que você quer comprar e divida pelo número de meses que faltam para a troca. Guarde todo mês esse dinheiro. Contabilize esse montante como "despesa com automóvel" e não como "investimento".
Exemplo: Seu carro é 2007 e você quer trocá-lo daqui a 2 anos. Procure saber quanto custa um carro equivalente, dois anos mais antigo que o seu, ou seja, 2005, e o carro equivalente ao que você quer comprar (digamos, um zero km). Se o carro zero km custa R$ 46.000 e o 2005 está por R$ 25.000, você vai precisar juntar R$ 875 por mês. A não ser que você queira pagar juros, o que, no Brasil, é sempre uma péssima ideia.
Armadilha 3: Carros quebram quando você menos espera.
Problema: Ainda que você seja um dono cuidadoso e que faça as manutenções preventivas recomendadas, você estará sujeito a surpresas desagradáveis pelo caminho. Isso pode ser imprevisível, mas é absolutamente certo. Por isso, você precisa estar preparado.
Solução: Uma poupança para emergências gerais pode dar conta do recado, mas não ajuda você a descobrir quanto custa manter o carro. E, afinal, consertos são parte integrantes de possuir um automóvel. É melhor separar esse dinheiro em uma conta específica para este fim, que pode ser a mesma dos itens anteriores. A regra geral é: para cada R$ 1,00 que você colocar em combustível, separe R$ 0,50 para óleo, pneus, revisões... e quebras. E, sim, isso significa que na prática a gasolina custa R$ 4,00 o litro. Faz a gente pensar, não?
29 de agosto de 2009
Armadilhas do carro nas finanças pessoais (1)
Fui provocado a escrever mais mensagens sobre finanças pessoais. Acho que a Internet já tem excelentes sítios sobre o assunto, inclusive em português e destinados a leitores brasileiros. Primeiro vou dar um pontapé inicial para quem se sente meio perdido por aí. Afinal, coisas simples muitas vezes só se tornam simples depois de explicadas.
A Regra de Ouro das finanças pessoais é tão simples que dá pra escrever de várias formas:
- Você não pode gastar mais do que ganha.
- Tem que entrar mais dinheiro na sua conta do que o que sai dela.
- Suas despesas precisam ser menores que suas receitas.
Decorre daí que você precisa saber quanto ganha e quanto gasta, o que é fácil, mas requer que você faça um orçamento. O que não é um bicho de sete cabeças -- é simplesmente fazer uma memória que diz de onde vem e para onde vai seu dinheiro. Depois, você pode partir daí para começar a fazer previsões e planos para o futuro.
Automóvel é um bem que vai tornar o seu orçamento bem mais complicado. Envolve despesas anuais e mensais, fixas e variáveis, previsíveis e imprevisíveis. Por isso, você pode cair em algumas armadilhas.
Na verdade, toda a cadeia de produção do automóvel é feita para dar a impressão de que é tudo simples, e que se a compra cabe no seu bolso, então tudo bem. Infelizmente, não é bem assim. Nos próximos posts vou esclarecer alguns erros básicos envolvendo automóvel e orçamento.
A Regra de Ouro das finanças pessoais é tão simples que dá pra escrever de várias formas:
- Você não pode gastar mais do que ganha.
- Tem que entrar mais dinheiro na sua conta do que o que sai dela.
- Suas despesas precisam ser menores que suas receitas.
Decorre daí que você precisa saber quanto ganha e quanto gasta, o que é fácil, mas requer que você faça um orçamento. O que não é um bicho de sete cabeças -- é simplesmente fazer uma memória que diz de onde vem e para onde vai seu dinheiro. Depois, você pode partir daí para começar a fazer previsões e planos para o futuro.
Automóvel é um bem que vai tornar o seu orçamento bem mais complicado. Envolve despesas anuais e mensais, fixas e variáveis, previsíveis e imprevisíveis. Por isso, você pode cair em algumas armadilhas.
Na verdade, toda a cadeia de produção do automóvel é feita para dar a impressão de que é tudo simples, e que se a compra cabe no seu bolso, então tudo bem. Infelizmente, não é bem assim. Nos próximos posts vou esclarecer alguns erros básicos envolvendo automóvel e orçamento.
20 de agosto de 2009
Brasilienses perdem respeito pela faixa de pedestre
A triste notícia é de ontem, do Correio Braziliense. O trânsito de Brasília está mais violento, pelo motivo de sempre: mais carros, mesmo espaço, nenhuma fiscalização resultam em mais pressa, mais acidentes e nenhuma punição. Como sempre, a corda arrebenta do lado mais fraco: os pedestres, principalmente crianças e idosos, e ciclistas.
É assustador que 2 pessoas por semana morram atropeladas nas vias do Distrito Federal, em uma média que já se realiza há anos. Pior que isso é saber que 10% dessas pessoas estavam atravessando uma faixa de pedestre, onde elas têm a preferência.
"Preferência" é uma palavra fraca, um termo meio técnico-legal que não diz muita coisa, traduz um direito de passagem que não é o principal objeto da faixa de pedestres. A travessia sobre a faixa, com todo respeito ao Estado laico, deveria chama-se "direito sagrado". Sim, porque não há quem discorde de que a vida humana é sagrada; ou, pelo menos, mais sagrada que a pressa...
Uma vez, quando trabalhava no Ministério das Cidades, ouvi o seguinte de um consultor internacional: "se a vida humana no Brasil fosse tão sagrada quanto as vacas na Índia, muita gente não ia querer andar de carro". Triste, mas ainda somos uma sociedade onde a vida do pedestre vale muito pouco. Mesmo com todos os "Paz no Trânsito".
O respeito à faixa é a vitória da segurança sobre a imprudência; da civilização sobre a baderna; da cidade para todos sobre o asfalto para poucos; da vida sobre a morte.
Da próxima vez que você estiver dirigindo com pressa, pense nisso, e preste bastante atenção nas faixas de pedestres. Elas estão lá para proteger o que há de mais precioso e sagrado no mundo -- a vida humana. Ainda há esperança para o trânsito brasiliense.
É assustador que 2 pessoas por semana morram atropeladas nas vias do Distrito Federal, em uma média que já se realiza há anos. Pior que isso é saber que 10% dessas pessoas estavam atravessando uma faixa de pedestre, onde elas têm a preferência.
"Preferência" é uma palavra fraca, um termo meio técnico-legal que não diz muita coisa, traduz um direito de passagem que não é o principal objeto da faixa de pedestres. A travessia sobre a faixa, com todo respeito ao Estado laico, deveria chama-se "direito sagrado". Sim, porque não há quem discorde de que a vida humana é sagrada; ou, pelo menos, mais sagrada que a pressa...
Uma vez, quando trabalhava no Ministério das Cidades, ouvi o seguinte de um consultor internacional: "se a vida humana no Brasil fosse tão sagrada quanto as vacas na Índia, muita gente não ia querer andar de carro". Triste, mas ainda somos uma sociedade onde a vida do pedestre vale muito pouco. Mesmo com todos os "Paz no Trânsito".
O respeito à faixa é a vitória da segurança sobre a imprudência; da civilização sobre a baderna; da cidade para todos sobre o asfalto para poucos; da vida sobre a morte.
Da próxima vez que você estiver dirigindo com pressa, pense nisso, e preste bastante atenção nas faixas de pedestres. Elas estão lá para proteger o que há de mais precioso e sagrado no mundo -- a vida humana. Ainda há esperança para o trânsito brasiliense.
14 de agosto de 2009
Cada cidadão, um guarda de trânsito!
Governos modernos recebem por telefone ou pela Internet denúncias sobre assuntos que consideram de seu interesse: crimes em geral, corrupção de servidores, tráfico de pessoas, queimadas, pirataria e por aí vai. Apesar de não serem sistemas perfeitos, as vantagens são evidentes: ao dar um certo poder de polícia ao cidadão comum, inibe-se o descumprimento e aumenta-se a eficiência da fiscalização de uma lei.
Isso vale para muitas leis, mas não vale para o Código de Trânsito Brasileiro.
Sabemos que nunca haverá policiais militares ou guardas municipais ou agentes do Detran suficientes para fiscalizar todo o trânsito, simplesmente porque isso sairia caro demais para qualquer governo. Mas, tristemente, o cidadão não pode denunciar uma infração de trânsito! Ou a infração é flagrada pelo agente de trânsito, ou é como se ela nunca tivesse existido. Isso dá ao mau motorista a quase certeza da impunidade.
Em 1997, quando foi aprovado o CTB, uma denúncia dessas implicaria na prática a palavra do denunciante contra a do motorista. Mas hoje, com a evolução da tecnologia, é fácil usar um celular para fotografar um carro estacionado em local proibido, ou filmar alguém trafegando pelo acostamento. Cada cidadão munido com um celular com câmera está pronto a produzir provas irrefutáveis do abuso alheio.
Imaginem o efeito revolucionário disto: calçadas livres dos carros, veículos parando nas faixas de pedestres, o motorista correto não sendo ultrapassado pelos espertinhos no congestionamento, ninguém jogando lixo na rua, todos os motociclistas usando capacete.
O Brasil precisa tomar coragem e dar esse grande passo para um trânsito civilizado. Infelizmente estamos caminhando no sentido contrário. Vamos deixar de ser coniventes com os infratores. Denúncia eletrônica nos DETRANs já: cada cidadão, um guarda de trânsito!
Isso vale para muitas leis, mas não vale para o Código de Trânsito Brasileiro.
Sabemos que nunca haverá policiais militares ou guardas municipais ou agentes do Detran suficientes para fiscalizar todo o trânsito, simplesmente porque isso sairia caro demais para qualquer governo. Mas, tristemente, o cidadão não pode denunciar uma infração de trânsito! Ou a infração é flagrada pelo agente de trânsito, ou é como se ela nunca tivesse existido. Isso dá ao mau motorista a quase certeza da impunidade.
Em 1997, quando foi aprovado o CTB, uma denúncia dessas implicaria na prática a palavra do denunciante contra a do motorista. Mas hoje, com a evolução da tecnologia, é fácil usar um celular para fotografar um carro estacionado em local proibido, ou filmar alguém trafegando pelo acostamento. Cada cidadão munido com um celular com câmera está pronto a produzir provas irrefutáveis do abuso alheio.
Imaginem o efeito revolucionário disto: calçadas livres dos carros, veículos parando nas faixas de pedestres, o motorista correto não sendo ultrapassado pelos espertinhos no congestionamento, ninguém jogando lixo na rua, todos os motociclistas usando capacete.
O Brasil precisa tomar coragem e dar esse grande passo para um trânsito civilizado. Infelizmente estamos caminhando no sentido contrário. Vamos deixar de ser coniventes com os infratores. Denúncia eletrônica nos DETRANs já: cada cidadão, um guarda de trânsito!
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4 de agosto de 2009
"Como comprar um carro sem gastar um centavo a mais no orçamento"
Recentemente, uma das maiores montadoras brasileiras lançou uma campanha de vendas cujo mote está no título acima. A propaganda na televisão mostra uma pessoa tomando banho quente e diz que com "pequenas medidas" dá para economizar o suficiente para levar um carro para casa.
Será verdade? Vejamos. O carro mais barato dessa marca custa hoje pouco mais de R$ 24.000. Começamos a fazer algumas contas:
1) supondo compra à vista, mês passado esse dinheiro rendia na poupança R$ 132 (se for a prazo, como sugere a propaganda, os juros são bem maiores);
2) o seguro desse carro vai ser cerca de R$ 2.592 por ano, ou seja R$ 216 mensais (assumir o risco de batida ou roubo, economicamente falando, é quase o mesmo que pagar seguro);
3) como carros não duram para sempre, quem quiser depois de 4 anos comprar outro igual vai ter que juntar, desde já, 25% desse valor, ou R$ 125 por mês (a conta aumenta para trocar mais cedo, por exemplo, para trocar com 2 anos, R$ 180);
4) o IPVA desse carro sairá cerca de R$ 720 por ano, ou R$ 60 mensais.
Então, o carro mais barato da propaganda, só para ficar parado na rua em frente à sua casa, vai lhe custar R$ 533 por mês. E você ainda vai colocar gasolina, óleo, pneus, revisões, estacionamento e tudo mais que um carro precisa. Mas como transporte público não é de graça também, vamos esquecer essa parte.
A grande maioria das pessoas não chamaria um corte de R$ 533 no orçamento de "pequena economia". A última Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE* revela itens que estão acima desse valor, mesmo para famílias com rendimento acima de R$ 6.000, são coisas onde é difícil fazer muita economia: aluguel, supermercado, plano de saúde e educação. A eletricidade, que aparece na propaganda, custa 1/4 desse valor em média.
Aplica-se melhor a esse caso o famoso mote do cartão de crédito: quem compra automóvel é porque acha que o conforto que ele oferece "não tem preço". Mas que não reste dúvida de que a mordida no orçamento será considerável. Dizer o contrário é, simplesmente, faltar com a verdade.
* A pesquisa é de 2003, mas corrigi os valores originais pelo IPCA com auxílio dos dados deste site.
Será verdade? Vejamos. O carro mais barato dessa marca custa hoje pouco mais de R$ 24.000. Começamos a fazer algumas contas:
1) supondo compra à vista, mês passado esse dinheiro rendia na poupança R$ 132 (se for a prazo, como sugere a propaganda, os juros são bem maiores);
2) o seguro desse carro vai ser cerca de R$ 2.592 por ano, ou seja R$ 216 mensais (assumir o risco de batida ou roubo, economicamente falando, é quase o mesmo que pagar seguro);
3) como carros não duram para sempre, quem quiser depois de 4 anos comprar outro igual vai ter que juntar, desde já, 25% desse valor, ou R$ 125 por mês (a conta aumenta para trocar mais cedo, por exemplo, para trocar com 2 anos, R$ 180);
4) o IPVA desse carro sairá cerca de R$ 720 por ano, ou R$ 60 mensais.
Então, o carro mais barato da propaganda, só para ficar parado na rua em frente à sua casa, vai lhe custar R$ 533 por mês. E você ainda vai colocar gasolina, óleo, pneus, revisões, estacionamento e tudo mais que um carro precisa. Mas como transporte público não é de graça também, vamos esquecer essa parte.
A grande maioria das pessoas não chamaria um corte de R$ 533 no orçamento de "pequena economia". A última Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE* revela itens que estão acima desse valor, mesmo para famílias com rendimento acima de R$ 6.000, são coisas onde é difícil fazer muita economia: aluguel, supermercado, plano de saúde e educação. A eletricidade, que aparece na propaganda, custa 1/4 desse valor em média.
Aplica-se melhor a esse caso o famoso mote do cartão de crédito: quem compra automóvel é porque acha que o conforto que ele oferece "não tem preço". Mas que não reste dúvida de que a mordida no orçamento será considerável. Dizer o contrário é, simplesmente, faltar com a verdade.
* A pesquisa é de 2003, mas corrigi os valores originais pelo IPCA com auxílio dos dados deste site.
29 de julho de 2009
Carta aberta à Ouvidoria do DER/DF
Prezada Ouvidora do DER/DF
Sra. Cátia Cilene
Recentemente, foi divulgado pela mídia local o projeto deste Departamento para requalificação do Trevo de Triagem Norte. Trata-se de um lindo projeto de Engenharia Rodoviária, mas uma intervenção ruim do ponto de vista urbanístico.
Como V.Sa. sabe, existe uma tendência atual, em especial nos países desenvolvidos, de procurar minimizar rupturas no tecido urbano causadas por grandes rodovias. Infelizmente, ainda não constatamos esta preocupação no projeto que foi divulgado.
Da maneira como está desenhado o novo trevo, um pedestre ou ciclista não consegue atravessá-lo, nem no sentido leste-oeste (do Setor Hospitalar para a SQN 216), nem no sentido norte-sul (do Plano para o Lago Norte), sem cruzar com intensos fluxos de veículos, arriscando sua vida.
Imagens de satélite da região disponíveis na Internet mostram claramente trilhas (caminhos improvisados) cortando a área em ambos os sentidos. Uma visita em campo também revelará que fluxos de pessoas não motorizadas ali são significativos. Há paradas de ônibus, oficiais e extraoficiais, de um lado e do outro do eixo. Ciclistas do Lago Norte atravessam a ponte para pedalar no Eixão aos domingos. Moradores do Varjão caminham diariamente até o final da Asa Norte para trabalhar.
Por isso, venho solicitar ao DER/DF que inclua passagens para pedestres e ciclistas na reforma do trevo. Faço-o através desta Carta Aberta, que divulgo aos meios de comunicação. Agradeço desde já a atenção de todos para esta importante questão.
Atenciosamente,
Rodrigo Ribeiro Novaes
Engenheiro e Gestor Governamental
Atualização:
Segue a resposta da ouvidora.
Sra. Cátia Cilene
Recentemente, foi divulgado pela mídia local o projeto deste Departamento para requalificação do Trevo de Triagem Norte. Trata-se de um lindo projeto de Engenharia Rodoviária, mas uma intervenção ruim do ponto de vista urbanístico.
Como V.Sa. sabe, existe uma tendência atual, em especial nos países desenvolvidos, de procurar minimizar rupturas no tecido urbano causadas por grandes rodovias. Infelizmente, ainda não constatamos esta preocupação no projeto que foi divulgado.
Da maneira como está desenhado o novo trevo, um pedestre ou ciclista não consegue atravessá-lo, nem no sentido leste-oeste (do Setor Hospitalar para a SQN 216), nem no sentido norte-sul (do Plano para o Lago Norte), sem cruzar com intensos fluxos de veículos, arriscando sua vida.
Imagens de satélite da região disponíveis na Internet mostram claramente trilhas (caminhos improvisados) cortando a área em ambos os sentidos. Uma visita em campo também revelará que fluxos de pessoas não motorizadas ali são significativos. Há paradas de ônibus, oficiais e extraoficiais, de um lado e do outro do eixo. Ciclistas do Lago Norte atravessam a ponte para pedalar no Eixão aos domingos. Moradores do Varjão caminham diariamente até o final da Asa Norte para trabalhar.
Por isso, venho solicitar ao DER/DF que inclua passagens para pedestres e ciclistas na reforma do trevo. Faço-o através desta Carta Aberta, que divulgo aos meios de comunicação. Agradeço desde já a atenção de todos para esta importante questão.
Atenciosamente,
Rodrigo Ribeiro Novaes
Engenheiro e Gestor Governamental
Atualização:
Segue a resposta da ouvidora.
Prezado Senhor,
Em atenção ao email datado de 29-07-2009, o Diretor-Geral informa que serão inclusos passagens para pedestres e ciclistas no projeto de construção do Trevo de Triagem Norte.
Att.
Cátia Cilene
Ouvidora
23 de julho de 2009
SP: a discussão dos fretados
Para quem não está sabendo do que se trata, a Prefeitura de SP proibirá, a partir de 2ª feira, a circulação de ônibus fretados na região central da cidade. Novas linhas de ônibus serão criadas para atender aos usuários e serão estabelecidos pontos de integração com os sistemas de metrô e trens.
Será que o trânsito vai melhorar com isso? Resposta: é claro que não. É só fazer uma continha muito simples: em um ônibus cabem 40 pessoas. Esse ônibus usa menos espaço que 3 carros. Portanto, se houver uma migração de 10% do fretamento para o automóvel, o trânsito vai piorar.
Isso mesmo: estamos falando de apenas 10%. Não 20%, nem 50%, nem 80%. Não precisa ser um gênio para chegar à conclusão de que a regulação desse sistema não tem que ser por aí. Garantir a segurança sim, padrões de poluição sim, mas restringir a circulação e jogar o pessoal que paga para ter conforto e privacidade nos trens e metrôs lotados?
O que eu acho mais curioso são os comentários nessas reportagens. Tanto os usuários de automóvel quanto os de transporte coletivo morrem de inveja do usuário do fretado, que viaja "confortável e dormindo". É, parece que a coisa funciona bem mesmo!
Quem sabe, um dia, essa tecnologia "revolucionária" chega a Brasília. Ou, pelo menos, linhas de ônibus executivos, como já temos nas grandes capitais por aí afora...
Atualização: Os ônibus fretados geraram filas quilométricas nos pontos de parada previstos pela prefeitura e superlotação em estações do metrô. Protestos continuam a ocorrer. A prefeitura diz que o trânsito melhorou, mas parece que, diante dos transtornos, está flexibilizando a restrição.
Será que o trânsito vai melhorar com isso? Resposta: é claro que não. É só fazer uma continha muito simples: em um ônibus cabem 40 pessoas. Esse ônibus usa menos espaço que 3 carros. Portanto, se houver uma migração de 10% do fretamento para o automóvel, o trânsito vai piorar.
Isso mesmo: estamos falando de apenas 10%. Não 20%, nem 50%, nem 80%. Não precisa ser um gênio para chegar à conclusão de que a regulação desse sistema não tem que ser por aí. Garantir a segurança sim, padrões de poluição sim, mas restringir a circulação e jogar o pessoal que paga para ter conforto e privacidade nos trens e metrôs lotados?
O que eu acho mais curioso são os comentários nessas reportagens. Tanto os usuários de automóvel quanto os de transporte coletivo morrem de inveja do usuário do fretado, que viaja "confortável e dormindo". É, parece que a coisa funciona bem mesmo!
Quem sabe, um dia, essa tecnologia "revolucionária" chega a Brasília. Ou, pelo menos, linhas de ônibus executivos, como já temos nas grandes capitais por aí afora...
Atualização: Os ônibus fretados geraram filas quilométricas nos pontos de parada previstos pela prefeitura e superlotação em estações do metrô. Protestos continuam a ocorrer. A prefeitura diz que o trânsito melhorou, mas parece que, diante dos transtornos, está flexibilizando a restrição.
18 de julho de 2009
Metrô x Esplanada: a integração que não deu certo
Há algum tempo, nesse post aqui, eu sugeri que os ônibus que vão para a Esplanada parassem mais próximos ao metrô na Rodoviária do Plano Piloto. Como, ainda bem, eu não sou a única pessoa que tem boas ideias, assim que começou a funcionar a integração tarifária, as linhas foram colocadas em frente à saída do metrô.
Já diz o ditado: de boas ideias o inferno está cheio. Nessa semana, as linhas integradas da TCB voltaram para o extremo oposto da Rodoviária. Motivos: o acesso do Eixo Monumental à Rodoviária é mais fácil por aquele lado e a plataforma perto do metrô vive congestionada com a saída dos ônibus de mais duas plataformas atrás dela.
Eu podia fazer o papel de blogueiro chato, e dizer que tem que ter faixa exclusiva, tem que otimizar o uso da Rodoviária e não colocar o pobre usuário para atravessar a pé o terminal. Mas eu sei o quanto essas soluções são difíceis em curto prazo. Acho que valeu a tentativa. Não deu agora, mas mostra uma boa possibilidade no futuro.
Já diz o ditado: de boas ideias o inferno está cheio. Nessa semana, as linhas integradas da TCB voltaram para o extremo oposto da Rodoviária. Motivos: o acesso do Eixo Monumental à Rodoviária é mais fácil por aquele lado e a plataforma perto do metrô vive congestionada com a saída dos ônibus de mais duas plataformas atrás dela.
Eu podia fazer o papel de blogueiro chato, e dizer que tem que ter faixa exclusiva, tem que otimizar o uso da Rodoviária e não colocar o pobre usuário para atravessar a pé o terminal. Mas eu sei o quanto essas soluções são difíceis em curto prazo. Acho que valeu a tentativa. Não deu agora, mas mostra uma boa possibilidade no futuro.
16 de julho de 2009
Moradores da SQS 205 querem mais estacionamentos
A reportagem está nesse link.
Alguns comentários:
Os moradores da SQS 205 estão cansados de chegar em casa e não encontrar vagas para os próprios carros. O drama de muitos habitantes do Plano Piloto é mais agudo na 205 Sul, onde nenhum dos blocos tem estacionamento interno ou coberto.
Drama é uma palavra meio forte, não? Drama é a situação dos moleques cheirando cola na Rodoviária do Plano. Ter que parar o carro 200 metros mais pra lá é, no máximo, uma inconveniência. Que aliás já deveria ser esperada por alguém que comprou ou alugou um apartamento sem vaga!
Angustiados com a dificuldade para estacionar em frente aos prédios, os moradores planejam propor à Administração Regional de Brasília uma troca dos espaços ociosos da quadra, como grandes calçadas de concreto e caixas de areia inutilizadas, por asfalto.
Muito gentil da parte deles. Porque a maioria faz sem pedir mesmo. Vejam o exemplo da SQN 402, bloco C:
[image]
Detalhe: do outro lado da rua, tem um estacionamento asfaltado que vive vazio. É, atravessar a rua para chegar em casa é demais. Muito melhor acabar com o gramado da cidade. Com a conivência do Detran e da prefeitura da quadra, é claro.
“São 11 blocos, que abrigam 594 apartamentos. Não temos vagas para todo mundo, muito menos para os comerciantes ou seus clientes”, reclama o prefeito da quadra, Artur Benevides. “O comércio está crescendo, principalmente por causa da lei que autorizou os puxadinhos”, completa.
Engraçado! Se bem me lembro, a classe média brasiliense foi a favor da lei dos puxadinhos, porque não queria perder o espaço extra do seu barzinho favorito invadindo a área pública...
Há até quem pare o veículo na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), vizinha à SQS 205, por falta de opções.
Do estacionamento da Deam até os blocos mais distantes, na diagonal da quadra, são 350 metros. Ou 5 minutos de uma caminhada em ritmo bem tranquilo... Que problemão, hein!
Alguns comentários:
Os moradores da SQS 205 estão cansados de chegar em casa e não encontrar vagas para os próprios carros. O drama de muitos habitantes do Plano Piloto é mais agudo na 205 Sul, onde nenhum dos blocos tem estacionamento interno ou coberto.
Drama é uma palavra meio forte, não? Drama é a situação dos moleques cheirando cola na Rodoviária do Plano. Ter que parar o carro 200 metros mais pra lá é, no máximo, uma inconveniência. Que aliás já deveria ser esperada por alguém que comprou ou alugou um apartamento sem vaga!
Angustiados com a dificuldade para estacionar em frente aos prédios, os moradores planejam propor à Administração Regional de Brasília uma troca dos espaços ociosos da quadra, como grandes calçadas de concreto e caixas de areia inutilizadas, por asfalto.
Muito gentil da parte deles. Porque a maioria faz sem pedir mesmo. Vejam o exemplo da SQN 402, bloco C:
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Detalhe: do outro lado da rua, tem um estacionamento asfaltado que vive vazio. É, atravessar a rua para chegar em casa é demais. Muito melhor acabar com o gramado da cidade. Com a conivência do Detran e da prefeitura da quadra, é claro.
“São 11 blocos, que abrigam 594 apartamentos. Não temos vagas para todo mundo, muito menos para os comerciantes ou seus clientes”, reclama o prefeito da quadra, Artur Benevides. “O comércio está crescendo, principalmente por causa da lei que autorizou os puxadinhos”, completa.
Engraçado! Se bem me lembro, a classe média brasiliense foi a favor da lei dos puxadinhos, porque não queria perder o espaço extra do seu barzinho favorito invadindo a área pública...
Há até quem pare o veículo na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), vizinha à SQS 205, por falta de opções.
Do estacionamento da Deam até os blocos mais distantes, na diagonal da quadra, são 350 metros. Ou 5 minutos de uma caminhada em ritmo bem tranquilo... Que problemão, hein!
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