Imagine um bandido com uma pistola. Ele mata 3 e fere 4 gravemente. O criminoso diz que "foi um acidente". Você deixaria uma pessoa dessas sair da prisão no mesmo dia em que entrou, levando embora sua pistola? Você acharia R$ 5.000 uma fiança justa para liberar esse sujeito?
Agora, imagine as mesmas vítimas, mas mortas e feridas por alguém dirigindo um carro em alta velocidade. E se o motorista, ainda por cima, estivesse bêbado?
Foi o que aconteceu hoje, em Cubatão-SP. O sujeito matou 3, feriu 4, pagou R$ 5.000 e saiu de lá com a carteira de motorista e tudo. Detalhe: o carro que ele dirigia era um Astra, não um Fusca.
Assim como 95% dos desastres automobilísticos, isso não merece ser chamado "acidente". É um crime e tem que ser tratado como tal.
Defendo o Estado de Direito, o direito à ampla defesa e não tenho nada contra o direito de fiança. Porém, penso:
1) Uma vez que o criminoso foi preso em flagrante, não recomendaria a prudência e o bom senso impedi-lo de cometer novos crimes ao ser solto? O CTB não deveria prever a suspensão automática do direito de dirigir nesses casos? Hoje, só após condenado pelo juiz é que o criminoso tem que devolver a CNH, e ainda assim só até passar por um curso de reciclagem.
2) Se o criminoso tem um patrimônio de no mínimo, digamos, R$ 20.000, que é o próprio Astra que ele usou para os homicídios / lesões corporais, por que estabelecer a fiança em 25% disso? A Lei não deveria estabelecer uma fiança de, no mínimo, o valor do veículo que o motorista estava dirigindo?
8 de dezembro de 2008
6 de dezembro de 2008
É hora de comprar?
Ontem, o presidente Lula disse que é hora de comprar. Afinal "deixando de comprar as fábricas não produzem mais automóveis e outros bens duráveis, o que pode fazer com que as montadoras de veículos promovam demissões" (grifo meu).
Duas afirmações, no mínimo, duvidosas.
Comecemos pela última. É claro que, se as fábricas não produzem, elas vão colocar gente pra fora. Porém, a indústria automobilística, que é a preocupação maior do presidente, mudou bastante nos últimos anos. O setor era intensivo em mão-de-obra, sendo quase automaticamente associado à figura do operário. Hoje, é intensivo em capital, com a maior parte das tarefas automatizada, seja por questões de segurança, qualidade ou produtividade.
As montadoras hoje empregam 113 mil pessoas. E isso ainda inclui ônibus e caminhões (mas a gente não vê o Lula falando "vamos comprar mais ônibus"). É pouca gente para o investimento dezenas de bilhões em máquinas, equipamentos, pesquisa e desenvolvimento e, claro, propaganda.
Aí tem os famosos "empregos indiretos". Ou deveríamos dizer "subempregos"? Alguém aí quer trabalhar em concessionária, oficina, estacionamento, posto de gasolina, lava-jato, ferro-velho? (Eu sei que é melhor que a fila do INSS, mas vamos pensar no custo de oportunidade...)
Ah! E "o setor gera impostos". Mas tirando todos os incentivos fiscais e para-fiscais (como empréstimos a juros camaradas no BNDES), e os custos de externalidades (poluição, congestionamentos e "acidentes"), não se justifica.
Passemos então à primeira afirmação: é hora de comprar alguma coisa? Com a renda fixa rendendo 13% ao ano, o dólar a R$ 2,50 e o IBOVESPA em 35 mil pontos, eu diria que sim. É hora de comprar títulos do Tesouro e talvez ações. Automóvel? Nem pensar.
Duas afirmações, no mínimo, duvidosas.
Comecemos pela última. É claro que, se as fábricas não produzem, elas vão colocar gente pra fora. Porém, a indústria automobilística, que é a preocupação maior do presidente, mudou bastante nos últimos anos. O setor era intensivo em mão-de-obra, sendo quase automaticamente associado à figura do operário. Hoje, é intensivo em capital, com a maior parte das tarefas automatizada, seja por questões de segurança, qualidade ou produtividade.
As montadoras hoje empregam 113 mil pessoas. E isso ainda inclui ônibus e caminhões (mas a gente não vê o Lula falando "vamos comprar mais ônibus"). É pouca gente para o investimento dezenas de bilhões em máquinas, equipamentos, pesquisa e desenvolvimento e, claro, propaganda.
Aí tem os famosos "empregos indiretos". Ou deveríamos dizer "subempregos"? Alguém aí quer trabalhar em concessionária, oficina, estacionamento, posto de gasolina, lava-jato, ferro-velho? (Eu sei que é melhor que a fila do INSS, mas vamos pensar no custo de oportunidade...)
Ah! E "o setor gera impostos". Mas tirando todos os incentivos fiscais e para-fiscais (como empréstimos a juros camaradas no BNDES), e os custos de externalidades (poluição, congestionamentos e "acidentes"), não se justifica.
Passemos então à primeira afirmação: é hora de comprar alguma coisa? Com a renda fixa rendendo 13% ao ano, o dólar a R$ 2,50 e o IBOVESPA em 35 mil pontos, eu diria que sim. É hora de comprar títulos do Tesouro e talvez ações. Automóvel? Nem pensar.
1 de dezembro de 2008
Dez dicas para fazer supermercado (sem carro, claro)
Uma das perguntas que eu mais ouço quando falo que não tenho carro é:"Como você faz com as compras de supermercado?"
Sem mais delongas, aqui vão minhas 10 dicas:
- Saiba o que e quanto comprar. Antes de sair, veja o que você já tem. Calcule seu consumo. Faça listas, mentais ou em papel: mesmo que elas não sejam seguidas à risca, dão um bom balizamento. Afinal, você não vai querer ter o trabalho de comprar e carregar coisas só para jogá-las fora depois, não é mesmo?
- Faça a maior parte das compras no supermercado mais próximo. Ter pelo menos um supermercado com acesso fácil é importante se você quer deixar de depender do automóvel.
- Se você vai a pé, em vez de fazer compras uma vez por semana ou a cada 15 dias, faça a cada 2 ou 3 dias. Menos coisas para carregar de uma vez só é um fator chave. Bônus: comidas mais frescas e mais promoções.
- Uma boa mochila é essencial. Em termos de conforto e eficiência, elas batem as sacolas plásticas de longe. Sem falar, é claro, na ecologia. Uma sacola de pano reutilizável também é uma boa idéia, para as compras menores. Uma sacola de plástico-bolha é útil para transportar itens refrigerados e congelados sem sustos.
- Uma bicicleta com bagageiro te dá duas vantagens: você tem mais supermercados para escolher, não só o da sua quadra, e você não carrega peso: é só colocar as compras na bike e pedalar. Acho que a melhor maneira de arrumar compras em um bagageiro é levar a sua mochila, encher a mochila, fechá-la e amarrá-la no bagageiro. Mesmo que você vá ao supermercado mais próximo, é melhor ir de bicicleta quando for comprar itens mais pesados (material de limpeza, por exemplo).
- Vários supermercados no Plano Piloto deixam a gente levar os carrinhos até os blocos. Se você se empolgar ou precisar comprar mais do que dá pra carregar, essa é uma ótima solução.
- Às vezes, não tem outro jeito a não ser fazer compras de ônibus. Quando eu morei em Águas Claras, o único supermercado que existia ficava do outro lado da cidade. Valem os mesmos cuidados das compras a pé: levar mochila e não se empolgar na quantidade. Como não dá para ir ao supermercado com tanta frequência, o planejamento correto das compras é de extrema importância. Além disso, vá fora dos horários de pico do sistema de transporte: ninguém merece andar num ônibus cheio com uma mochila cheia.
- Menos volume, menos peso = mais eficiência! Os itens mais pesados das compras, em geral, são aqueles onde a gente está transportando... água! Não precisamos fazer isso, já existe um elaborado sistema da CAESB para fazer chegar água potável às nossas casas. Portanto compre: leite em pó em vez de leite em caixas; chá em pó em vez de chá em garrafas; suco concentrado em vez de suco pronto; desinfetante concentrado em vez de diluído; e assim vai.
- Faça compras pela Internet: se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Minhas experiências até hoje foram muito positivas. Os supermercados foram sempre cuidadosos em escolher as melhores frutas e verduras. Os frios e congelados vêm em embalagens apropriadas. E você recebe tudo no conforto da sua casa, no horário marcado. Ah, sim: quando eu fico com pena de pagar R$ 9 de taxa de entrega, eu me lembro dos R$ 900 por mês que custava meu carro.
- Se não der pra fazer nada disso (tipo: você precisa comprar 50 litros de refrigerante para uma festa de aniversário), bata no ombro da sua mãe, sogra, cunhado ou melhor amigo, explique a situação e peça uma carona ou o carro emprestado por algumas horas. Se todos recusarem, chame um táxi. Obviamente, esse é um último recurso: não abuse!
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19 de novembro de 2008
Não existe almoço grátis, mas estacionamento grátis...
Circula pela Internet uma mensagem que diz, em resumo, o seguinte:
Lei Gratuidade de Estacionamento - Lei nº 1209/2004-DF
Se você gastar 10 vezes o valor do estacionamento no shopping, o estacionamento tem que ser gratuito.
Aparentemente, a lei existe, mas há uma liminar do STJ que suspende seus efeitos. Felizmente.
Afinal, por que o Governo deveria regular o preço de uma transação estritamente privada entre o dono do automóvel e o administrador do estacionamento? Há alguma falha de mercado que justifique a interferência estatal?
O que tem a ver o administrador do estacionamento -- que via de regra não é a mesma empresa que administra o shopping, e tenho certeza de que não é a mesma loja que vende para o cliente -- com o fato de que alguém comprou zero, 3x ou 10x o valor do estacionamento?
As lojas têm todo direito de isentar o cliente de seu estacionamento, como algumas de fato fazem. E a administração do shopping também pode estabelecer essa política, se for de sua preferência. Não entendo qual a motivação da Lei, a não ser o "populismo de elite".
Se o consumidor for ao shopping de metrô, ônibus, táxi, bicicleta ou a pé, como fica o desconto? Por que oferecer desconto apenas ao sujeito que já tem renda suficiente para andar de carro e fazer uma compra de mais de R$ 40 ou R$ 45 em um dia?
Lei Gratuidade de Estacionamento - Lei nº 1209/2004-DF
Se você gastar 10 vezes o valor do estacionamento no shopping, o estacionamento tem que ser gratuito.
Aparentemente, a lei existe, mas há uma liminar do STJ que suspende seus efeitos. Felizmente.
Afinal, por que o Governo deveria regular o preço de uma transação estritamente privada entre o dono do automóvel e o administrador do estacionamento? Há alguma falha de mercado que justifique a interferência estatal?
O que tem a ver o administrador do estacionamento -- que via de regra não é a mesma empresa que administra o shopping, e tenho certeza de que não é a mesma loja que vende para o cliente -- com o fato de que alguém comprou zero, 3x ou 10x o valor do estacionamento?
As lojas têm todo direito de isentar o cliente de seu estacionamento, como algumas de fato fazem. E a administração do shopping também pode estabelecer essa política, se for de sua preferência. Não entendo qual a motivação da Lei, a não ser o "populismo de elite".
Se o consumidor for ao shopping de metrô, ônibus, táxi, bicicleta ou a pé, como fica o desconto? Por que oferecer desconto apenas ao sujeito que já tem renda suficiente para andar de carro e fazer uma compra de mais de R$ 40 ou R$ 45 em um dia?
11 de novembro de 2008
Propaganda de motos dentro do ônibus (!)
Outro dia eu estava no ônibus aqui em Brasília quando vejo, na parte traseira interna, um anúncio dizendo: "Compre sua moto em 48x".
Essa pra mim é novidade. Eu queria saber em que outro ramo de negócios o empresário faz ou deixa que façam propaganda de seu concorrente.
Em todo lugar são comuns busdoors com propagandas de automóveis ou serviços relacionados. Aparentemente, o público-alvo disso não são os usuários do transporte coletivo, mas os motoristas presos no congestionamento. O que é questionável, já que quem está no ponto de ônibus também fica exposto aos anúncios enquanto espera sua linha, mas tudo bem.
Agora, "compre uma moto" dentro do ônibus é no mínimo um contra-senso. Mesmo porque o valor das parcelas acaba sendo tentador para quem paga R$ 6,00 por dia para se deslocar.
Essa pra mim é novidade. Eu queria saber em que outro ramo de negócios o empresário faz ou deixa que façam propaganda de seu concorrente.
Em todo lugar são comuns busdoors com propagandas de automóveis ou serviços relacionados. Aparentemente, o público-alvo disso não são os usuários do transporte coletivo, mas os motoristas presos no congestionamento. O que é questionável, já que quem está no ponto de ônibus também fica exposto aos anúncios enquanto espera sua linha, mas tudo bem.
Agora, "compre uma moto" dentro do ônibus é no mínimo um contra-senso. Mesmo porque o valor das parcelas acaba sendo tentador para quem paga R$ 6,00 por dia para se deslocar.
4 de novembro de 2008
SP: Trem do Aeroporto voltará -- por R$ 28!
Prefeitura, Governo do Estado e União estão juntando esforços para que o Trem do Aeroporto saia do papel.
A passagem custará o mesmo preço do ônibus executivo -- R$ 28. Ou seja, assim como o ônibus, ele será feito para que não conhece o sistema de transporte da cidade.
Alguns deve estar se perguntando: Trem do Aeroporto voltará? Quando foi que ele existiu um dia?
É chocante, mas um dia já houve trilhos saindo do Parque Pedro II até as proximidades do Aeroporto de Guarulhos -- que era, então, apenas uma Base Aérea militar.
Como o Brasil é um país sem visão de futuro, em 1965 o Regime Militar resolveu "erradicar" ramais ferroviários como se eles fossem algum tipo de doença. Foi aí que essa linha -- que se chamava Trem da Cantareira -- virou asfalto.
Tanto o transporte ferroviário era necessário na região que uma década mais tarde foi reconstruído um trecho da linha -- entre Luz e Tucuruvi -- mas dessa vez no subsolo. E hoje, 40 anos depois, fala-se em fazer estação em Guarulhos, para ligar ao Brás e aí à Luz.
Para quem quiser saber mais dessa história, visite a página da estação original que ainda está lá, dentro da Base Aérea.
Em tempo, com R$ 28 alguém pagaria 37 passagens desse trem -- em dinheiro de hoje, a tarifa custava R$ 0,75.
A passagem custará o mesmo preço do ônibus executivo -- R$ 28. Ou seja, assim como o ônibus, ele será feito para que não conhece o sistema de transporte da cidade.
Alguns deve estar se perguntando: Trem do Aeroporto voltará? Quando foi que ele existiu um dia?
É chocante, mas um dia já houve trilhos saindo do Parque Pedro II até as proximidades do Aeroporto de Guarulhos -- que era, então, apenas uma Base Aérea militar.
Como o Brasil é um país sem visão de futuro, em 1965 o Regime Militar resolveu "erradicar" ramais ferroviários como se eles fossem algum tipo de doença. Foi aí que essa linha -- que se chamava Trem da Cantareira -- virou asfalto.
Tanto o transporte ferroviário era necessário na região que uma década mais tarde foi reconstruído um trecho da linha -- entre Luz e Tucuruvi -- mas dessa vez no subsolo. E hoje, 40 anos depois, fala-se em fazer estação em Guarulhos, para ligar ao Brás e aí à Luz.
Para quem quiser saber mais dessa história, visite a página da estação original que ainda está lá, dentro da Base Aérea.
Em tempo, com R$ 28 alguém pagaria 37 passagens desse trem -- em dinheiro de hoje, a tarifa custava R$ 0,75.
22 de outubro de 2008
Eixão mais "protegido" (contra quem?)
Como se não bastasse a proposição do fim do Eixão do Lazer (fechamento dos 18 km do Eixo Rodoviário durante os domingos, de 6 às 18 h), agora o GDF vem com mais uma novidade: a construção de muretas tipo new jersey no meio do Eixão. As muretas terão 85 cm de altura e dentro haverá um jardim com coroa-de-cristo, uma planta espinhosa "para que os pedestres não atravessem" (palavras do diretor do DER, Luiz Carlos Tanezini).
Eu não sou a favor de ninguém se arriscar para atravessar 6 faixas de carros a 80 km/h. Eu mesmo não faço isso. Mas vamos ver o lado de quem faz.
Para quem não sabe, a distância entre as passagens de pedestre do Eixão é de 720 metros. Isso significa que se você quiser ir de uma entrequadra a outra são 10 minutos de caminhada a mais só para atravessar a via. Sob sol ou chuva. O deslocamento transversal ao eixo, por exemplo, ir da comercial da 305 Norte para a comercial da 405 Norte, poderia ser uma caminhada de 12 minutos (0,9 km); em vez disso, leva 22 minutos(1,6 km).
E é comum fazer esse deslocamento a pé. Isso porque devido à organização das linhas de ônibus de Brasília, esse percurso que poderia ser de 1,5 km requer uma viagem de 9 km.
Outro problema é que as passagens subterrâneas em si são um nojo. Escuras, estreitas (3 m) e com cantos escondidos, sujas, com cheiro de urina e fezes. Prometem uma reforma (será que dessa vez haverá acessibilidade?), iluminação, câmeras de segurança. A mureta estará lá para sempre. Quanto tempo nossa segurança durará? Quanto tempo levará até o conserto de uma luz quebrada ou uma câmera destruída pelo vandalismo?
Prometem também construir 16 km de ciclovias, se o IPHAN deixar. De acordo com o Instituto, uma mureta de 18 km não fere a escala bucólica da cidade. De jeito nenhum. Mas uma ciclovia, isso sim é um crime contra a escala viária de Brasília.
A ciclovia, saindo ou não, junto com a divisão do Eixão em dois mesmo durante os domingos, será o novo mote para o fim do Eixão do Lazer. Eu não sou o único que pensa assim.
Não é à toa. O próprio Secretário de Transportes já cantou a bola:
“Se eu sentir que os outros dois projetos [reforma das passagens subterrâneas de pedestre e ciclovia] vão atrasar muito, peço para desmembrar o das barreiras.”
Por que não desmembrar o da reforma das passagens? Garanta primeiro a segurança do pedestre e depois coloque a barreira!
Brasília, mais uma vez, caminha no sentido oposto do resto do mundo. Enquanto em locais mais civilizados procura-se mitigar o impacto da passagem de grandes vias sobre o tecido urbano, aqui se quer aumentá-lo. Por quê?
A desculpa para a construção desse monstro são as colisões frontais entre veículos na via. Essas colisões são quase sempre fatais porque a velocidade relativa é de 160 km/h (considerando o limite de velocidade da via), e não há proteção eficiente para esse tipo de impacto porque os carros se destróem e as pessoas morrem esmagadas.
Que tal então reduzir o limite da via para 60 km/h? Seriam apenas 2 minutos a mais da Rodoviária até a Saída Sul ou Norte! Mas ao contrário do resto do mundo, aqui o Detran gosta de aumentar os limites de velocidade*, não diminuí-los. Então que tal mais fiscalização eletrônica para evitar o excesso de velocidade fora dos horários de pico? No último acidente, o motorista que atravessou o canteiro central dirgia em alta velocidade*.
Por que não fazer uma barreira com postes maleáveis, que absorveriam boa parte da energia cinética do veículo? Só em último caso poderia se pensar em fazer uma mureta. A propósito, de acordo com este instituto de pesquisas, 50 cm de altura são suficientes para desviar uma picape de 3 toneladas a 72 km/h.
Para que, ou melhor, contra quem servirão os 85 cm com plantas espinhosas em cima?
* links exclusivos para assinantes Correioweb ou Correio Braziliense
Eu não sou a favor de ninguém se arriscar para atravessar 6 faixas de carros a 80 km/h. Eu mesmo não faço isso. Mas vamos ver o lado de quem faz.
Para quem não sabe, a distância entre as passagens de pedestre do Eixão é de 720 metros. Isso significa que se você quiser ir de uma entrequadra a outra são 10 minutos de caminhada a mais só para atravessar a via. Sob sol ou chuva. O deslocamento transversal ao eixo, por exemplo, ir da comercial da 305 Norte para a comercial da 405 Norte, poderia ser uma caminhada de 12 minutos (0,9 km); em vez disso, leva 22 minutos(1,6 km).
E é comum fazer esse deslocamento a pé. Isso porque devido à organização das linhas de ônibus de Brasília, esse percurso que poderia ser de 1,5 km requer uma viagem de 9 km.
Outro problema é que as passagens subterrâneas em si são um nojo. Escuras, estreitas (3 m) e com cantos escondidos, sujas, com cheiro de urina e fezes. Prometem uma reforma (será que dessa vez haverá acessibilidade?), iluminação, câmeras de segurança. A mureta estará lá para sempre. Quanto tempo nossa segurança durará? Quanto tempo levará até o conserto de uma luz quebrada ou uma câmera destruída pelo vandalismo?
Prometem também construir 16 km de ciclovias, se o IPHAN deixar. De acordo com o Instituto, uma mureta de 18 km não fere a escala bucólica da cidade. De jeito nenhum. Mas uma ciclovia, isso sim é um crime contra a escala viária de Brasília.
A ciclovia, saindo ou não, junto com a divisão do Eixão em dois mesmo durante os domingos, será o novo mote para o fim do Eixão do Lazer. Eu não sou o único que pensa assim.
Não é à toa. O próprio Secretário de Transportes já cantou a bola:
“Se eu sentir que os outros dois projetos [reforma das passagens subterrâneas de pedestre e ciclovia] vão atrasar muito, peço para desmembrar o das barreiras.”
Por que não desmembrar o da reforma das passagens? Garanta primeiro a segurança do pedestre e depois coloque a barreira!
Brasília, mais uma vez, caminha no sentido oposto do resto do mundo. Enquanto em locais mais civilizados procura-se mitigar o impacto da passagem de grandes vias sobre o tecido urbano, aqui se quer aumentá-lo. Por quê?
A desculpa para a construção desse monstro são as colisões frontais entre veículos na via. Essas colisões são quase sempre fatais porque a velocidade relativa é de 160 km/h (considerando o limite de velocidade da via), e não há proteção eficiente para esse tipo de impacto porque os carros se destróem e as pessoas morrem esmagadas.
Que tal então reduzir o limite da via para 60 km/h? Seriam apenas 2 minutos a mais da Rodoviária até a Saída Sul ou Norte! Mas ao contrário do resto do mundo, aqui o Detran gosta de aumentar os limites de velocidade*, não diminuí-los. Então que tal mais fiscalização eletrônica para evitar o excesso de velocidade fora dos horários de pico? No último acidente, o motorista que atravessou o canteiro central dirgia em alta velocidade*.
Por que não fazer uma barreira com postes maleáveis, que absorveriam boa parte da energia cinética do veículo? Só em último caso poderia se pensar em fazer uma mureta. A propósito, de acordo com este instituto de pesquisas, 50 cm de altura são suficientes para desviar uma picape de 3 toneladas a 72 km/h.
Para que, ou melhor, contra quem servirão os 85 cm com plantas espinhosas em cima?
* links exclusivos para assinantes Correioweb ou Correio Braziliense
14 de outubro de 2008
Exemplo prático da importância de conduzir a bicicleta defensivamente
Imagine a situação ao lado. Ambas as vias são coletoras de mão dupla. Não há sinalização vertical nem horizontal. Quem vai primeiro? O veículo A, B ou C?Veja que de qualquer modo A não pode ir antes de C, pois isso seria infração ao Artigo 38 do Código de Trânsito Brasileiro. Quem vira à esquerda tem que dar preferência a quem trafega no sentido contrário.
Se B e C fossem dois carros, a situação seria nebulosa. Por um lado, B está à direita de C, que é a regra normal de preferência. Por outro lado, B está fazendo uma conversão.
Como o veículo C era eu, de bicicleta, a situação fica clara. Diz o Artigo 38 do CTB: "Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas (...)".
O carro A parou para mim, mas o motorista de B avançou na minha frente, quase causando um acidente. Estar atento, mão no freio e comportamento defensivo foram minha salvação. E depois de tudo isso, um grito com vontade, mas sem xingar a mãe do motorista.
Fica a lição para os amigos ciclistas. Mesmo que você esteja no seu direito, esteja preparado para o pior.
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8 de outubro de 2008
FÁCIL? Tá difícil...
Como grande fã de tudo que torna a vida mais fácil, fui ontem retirar meu Cartão Cidadão no Fácil DF. Nada mais de carregar dinheiro para pagar ônibus, nada de troco. Até aí tudo bem.
O problema é que, ao contrário de qualquer lugar inteligente do mundo, a passagem em Brasília custa mais caro no cartão do que em dinheiro. Ao comprar créditos na Internet, a passagem de R$ 2,00 sai por R$ 2,06 e a de R$ 3,00 por R$ 3,09.
Como o Fácil DF é uma entidade "sem fins lucrativos" formada pelas empresas de ônibus, fica a pergunta: o GDF autorizou o aumento? Ou pelo menos sabe que as empresas estão cobrando mais? O art. 4º, § 1º, a portaria da SETRANS que estabelece a bilhetagem eletrônica fala em estrutura tarifária que incentive o uso do cartão. O que existe hoje é o contrário e ninguém parece se importar.
O problema é que, ao contrário de qualquer lugar inteligente do mundo, a passagem em Brasília custa mais caro no cartão do que em dinheiro. Ao comprar créditos na Internet, a passagem de R$ 2,00 sai por R$ 2,06 e a de R$ 3,00 por R$ 3,09.
Como o Fácil DF é uma entidade "sem fins lucrativos" formada pelas empresas de ônibus, fica a pergunta: o GDF autorizou o aumento? Ou pelo menos sabe que as empresas estão cobrando mais? O art. 4º, § 1º, a portaria da SETRANS que estabelece a bilhetagem eletrônica fala em estrutura tarifária que incentive o uso do cartão. O que existe hoje é o contrário e ninguém parece se importar.
3 de outubro de 2008
Ainda sobre a moto: álcool
Pesquisando um pouco mais sobre o mercado de motos, vi que está previsto o lançamento da moto flex em 2009. Espera-se que ela polua menos.
A solução, no entanto, vem meio tarde. Não só porque o ar das grandes cidades está intolerável, mas porque já deram um "jeitinho brasileiro" na história. Segundo um post do fimdetarde.net, é só trocar uma peça do carburador, e voilà, "álcool move meia frota de moto em Ribeirão Preto".
Veja o artigo aqui.
Pessoalmente, não acredito que a motocicleta vá se tornar uma solução sustentável só por conta do álcool, seja ele de fábrica ou não. Porém, é um passo nessa direção.
A solução, no entanto, vem meio tarde. Não só porque o ar das grandes cidades está intolerável, mas porque já deram um "jeitinho brasileiro" na história. Segundo um post do fimdetarde.net, é só trocar uma peça do carburador, e voilà, "álcool move meia frota de moto em Ribeirão Preto".
Veja o artigo aqui.
Pessoalmente, não acredito que a motocicleta vá se tornar uma solução sustentável só por conta do álcool, seja ele de fábrica ou não. Porém, é um passo nessa direção.
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