14 de agosto de 2009

Cada cidadão, um guarda de trânsito!

Governos modernos recebem por telefone ou pela Internet denúncias sobre assuntos que consideram de seu interesse: crimes em geral, corrupção de servidores, tráfico de pessoas, queimadas, pirataria e por aí vai. Apesar de não serem sistemas perfeitos, as vantagens são evidentes: ao dar um certo poder de polícia ao cidadão comum, inibe-se o descumprimento e aumenta-se a eficiência da fiscalização de uma lei.

Isso vale para muitas leis, mas não vale para o Código de Trânsito Brasileiro.

Sabemos que nunca haverá policiais militares ou guardas municipais ou agentes do Detran suficientes para fiscalizar todo o trânsito, simplesmente porque isso sairia caro demais para qualquer governo. Mas, tristemente, o cidadão não pode denunciar uma infração de trânsito! Ou a infração é flagrada pelo agente de trânsito, ou é como se ela nunca tivesse existido. Isso dá ao mau motorista a quase certeza da impunidade.

Em 1997, quando foi aprovado o CTB, uma denúncia dessas implicaria na prática a palavra do denunciante contra a do motorista. Mas hoje, com a evolução da tecnologia, é fácil usar um celular para fotografar um carro estacionado em local proibido, ou filmar alguém trafegando pelo acostamento. Cada cidadão munido com um celular com câmera está pronto a produzir provas irrefutáveis do abuso alheio.

Imaginem o efeito revolucionário disto: calçadas livres dos carros, veículos parando nas faixas de pedestres, o motorista correto não sendo ultrapassado pelos espertinhos no congestionamento, ninguém jogando lixo na rua, todos os motociclistas usando capacete.

O Brasil precisa tomar coragem e dar esse grande passo para um trânsito civilizado. Infelizmente estamos caminhando no sentido contrário. Vamos deixar de ser coniventes com os infratores. Denúncia eletrônica nos DETRANs já: cada cidadão, um guarda de trânsito!

4 de agosto de 2009

"Como comprar um carro sem gastar um centavo a mais no orçamento"

Recentemente, uma das maiores montadoras brasileiras lançou uma campanha de vendas cujo mote está no título acima. A propaganda na televisão mostra uma pessoa tomando banho quente e diz que com "pequenas medidas" dá para economizar o suficiente para levar um carro para casa.

Será verdade? Vejamos. O carro mais barato dessa marca custa hoje pouco mais de R$ 24.000. Começamos a fazer algumas contas:
1) supondo compra à vista, mês passado esse dinheiro rendia na poupança R$ 132 (se for a prazo, como sug
ere a propaganda, os juros são bem maiores);
2) o seguro desse carro vai ser cerca de R$ 2.592 por ano, ou seja R$ 216 mensais (assumir o risco de batida ou roubo, economicamente falando, é quase o mesmo que pagar seguro);
3) como carros não duram para sempre, quem quiser depois de 4 anos comprar outro igual vai ter que juntar, desde já, 25% desse valor, ou R$ 125 por mês (a conta aumenta para trocar mais cedo, por exemplo, para trocar com 2 anos, R$ 180);
4) o IPVA desse carro sairá cerca de R$ 720 por ano, ou R$ 60 mensais.

Então, o carro mais barato da propaganda, só para ficar parado na rua em frente à sua casa, vai lhe custar R$ 533 por mês. E você ainda vai colocar gasolina, óleo, pneus, revisões, estacionamento e tudo mais que um carro precisa. Mas como transporte público não é de graça também, vamos esquecer essa parte.

A grande maioria das pessoas não chamaria um corte de R$ 533 no orçamento de "pequena economia". A última Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE* revela itens que estão acima desse valor, mesmo para famílias com rendimento acima de R$ 6.000, são coisas onde é difícil fazer muita economia: aluguel, supermercado, plano de saúde e educação. A eletricidade, que aparece na propaganda, custa 1/4 desse valor em média.

Aplica-se melhor a esse caso o famoso mote do cartão de crédito: quem compra automóvel é porque acha que o conforto que ele oferece "não tem preço". Mas que não reste dúvida de que a mordida no orçamento será considerável. Dizer o contrário é, simplesmente, faltar com a verdade.

* A pesquisa é de 2003, mas corrigi os valores originais pelo IPCA com auxílio dos dados deste site.

29 de julho de 2009

Carta aberta à Ouvidoria do DER/DF

Prezada Ouvidora do DER/DF
Sra. Cátia Cilene

Recentemente, foi divulgado pela mídia local o projeto deste Departamento para requalificação do Trevo de Triagem Norte. Trata-se de um lindo projeto de Engenharia Rodoviária, mas uma intervenção ruim do ponto de vista urbanístico.

Como V.Sa. sabe, existe uma tendência atual, em especial nos países desenvolvidos, de procurar minimizar rupturas no tecido urbano causadas por grandes rodovias. Infelizmente, ainda não constatamos esta preocupação no projeto que foi divulgado.

Da maneira como está desenhado o novo trevo, um pedestre ou ciclista não consegue atravessá-lo, nem no sentido leste-oeste (do Setor Hospitalar para a SQN 216), nem no sentido norte-sul (do Plano para o Lago Norte), sem cruzar com intensos fluxos de veículos, arriscando sua vida.

Imagens de satélite da região disponíveis na Internet mostram claramente trilhas (caminhos improvisados) cortando a área em ambos os sentidos. Uma visita em campo também revelará que fluxos de pessoas não motorizadas ali são significativos. Há paradas de ônibus, oficiais e extraoficiais, de um lado e do outro do eixo. Ciclistas do Lago Norte atravessam a ponte para pedalar no Eixão aos domingos. Moradores do Varjão caminham diariamente até o final da Asa Norte para trabalhar.

Por isso, venho solicitar ao DER/DF que inclua passagens para pedestres e ciclistas na reforma do trevo. Faço-o através desta Carta Aberta, que divulgo aos meios de comunicação. Agradeço desde já a atenção de todos para esta importante questão.

Atenciosamente,
Rodrigo Ribeiro Novaes
Engenheiro e Gestor Governamental

Atualização:
Segue a resposta da ouvidora.

Prezado Senhor,

Em atenção ao email datado de 29-07-2009, o Diretor-Geral informa que serão inclusos passagens para pedestres e ciclistas no projeto de construção do Trevo de Triagem Norte.

Att.
Cátia Cilene
Ouvidora

23 de julho de 2009

SP: a discussão dos fretados

Para quem não está sabendo do que se trata, a Prefeitura de SP proibirá, a partir de 2ª feira, a circulação de ônibus fretados na região central da cidade. Novas linhas de ônibus serão criadas para atender aos usuários e serão estabelecidos pontos de integração com os sistemas de metrô e trens.

Será que o trânsito vai melhorar com isso? Resposta: é claro que não. É só fazer uma continha muito simples: em um ônibus cabem 40 pessoas. Esse ônibus usa menos espaço que 3 carros. Portanto, se houver uma migração de 10% do fretamento para o automóvel, o trânsito vai piorar.

Isso mesmo: estamos falando de apenas 10%. Não 20%, nem 50%, nem 80%. Não precisa ser um gênio para chegar à conclusão de que a regulação desse sistema não tem que ser por aí. Garantir a segurança sim, padrões de poluição sim, mas restringir a circulação e jogar o pessoal que paga para ter conforto e privacidade nos trens e metrôs lotados?

O que eu acho mais curioso são os comentários nessas reportagens. Tanto os usuários de automóvel quanto os de transporte coletivo morrem de inveja do usuário do fretado, que viaja "confortável e dormindo". É, parece que a coisa funciona bem mesmo!

Quem sabe, um dia, essa tecnologia "revolucionária" chega a Brasília. Ou, pelo menos, linhas de ônibus executivos, como já temos nas grandes capitais por aí afora...

Atualização: Os ônibus fretados geraram filas quilométricas nos pontos de parada previstos pela prefeitura e superlotação em estações do metrô. Protestos continuam a ocorrer. A prefeitura diz que o trânsito melhorou, mas parece que, diante dos transtornos, está flexibilizando a restrição.

18 de julho de 2009

Metrô x Esplanada: a integração que não deu certo

Há algum tempo, nesse post aqui, eu sugeri que os ônibus que vão para a Esplanada parassem mais próximos ao metrô na Rodoviária do Plano Piloto. Como, ainda bem, eu não sou a única pessoa que tem boas ideias, assim que começou a funcionar a integração tarifária, as linhas foram colocadas em frente à saída do metrô.

Já diz o ditado: de boas ideias o inferno está cheio. Nessa semana, as linhas integradas da TCB voltaram para o extremo oposto da Rodoviária. Motivos: o acesso do Eixo Monumental à Rodoviária é mais fácil por aquele lado e a plataforma perto do metrô vive congestionada com a saída dos ônibus de mais duas plataformas atrás dela.

Eu podia fazer o papel de blogueiro chato, e dizer que tem que ter faixa exclusiva, tem que otimizar o uso da Rodoviária e não colocar o pobre usuário para atravessar a pé o terminal. Mas eu sei o quanto essas soluções são difíceis em curto prazo. Acho que valeu a tentativa. Não deu agora, mas mostra uma boa possibilidade no futuro.

16 de julho de 2009

Moradores da SQS 205 querem mais estacionamentos

A reportagem está nesse link.

Alguns comentários:
Os moradores da SQS 205 estão cansados de chegar em casa e não encontrar vagas para os próprios carros. O drama de muitos habitantes do Plano Piloto é mais agudo na 205 Sul, onde nenhum dos blocos tem estacionamento interno ou coberto.

Drama é uma palavra meio forte, não? Drama é a situação dos moleques cheirando cola na Rodoviária do Plano. Ter que parar o carro 200 metros mais pra lá é, no máximo, uma inconveniência. Que aliás já deveria ser esperada por alguém que comprou ou alugou um apartamento sem vaga!

Angustiados com a dificuldade para estacionar em frente aos prédios, os moradores planejam propor à Administração Regional de Brasília uma troca dos espaços ociosos da quadra, como grandes calçadas de concreto e caixas de areia inutilizadas, por asfalto.

Muito gentil da parte deles. Porque a maioria faz sem pedir mesmo. Vejam o exemplo da SQN 402, bloco C:
[image]

Detalhe: do outro lado da rua, tem um estacionamento asfaltado que vive vazio. É, atravessar a rua para chegar em casa é demais. Muito melhor acabar com o gramado da cidade. Com a conivência do Detran e da prefeitura da quadra, é claro.

“São 11 blocos, que abrigam 594 apartamentos. Não temos vagas para todo mundo, muito menos para os comerciantes ou seus clientes”, reclama o prefeito da quadra, Artur Benevides. “O comércio está crescendo, principalmente por causa da lei que autorizou os puxadinhos”, completa.

Engraçado! Se bem me lembro, a classe média brasiliense foi a favor da lei dos puxadinhos, porque não queria perder o espaço extra do seu barzinho favorito invadindo a área pública...

Há até quem pare o veículo na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), vizinha à SQS 205, por falta de opções.

Do estacionamento da Deam até os blocos mais distantes, na diagonal da quadra, são 350 metros. Ou 5 minutos de uma caminhada em ritmo bem tranquilo... Que problemão, hein!

3 de julho de 2009

Táxi para o Aeroporto? Nunca mais!

Chega a época de férias e todo mundo vai viajar. Um jeito certo de ter que gastar uma grana é querer pegar um táxi nos aeroportos e rodoviárias. Isso vale não só no Brasil, mas no resto do mundo. Em vários locais, a exploração é legalizada e o taxista pode cobrar bandeira 2, a qualquer dia e horário, só porque você tem como origem ou destino o aeroporto. Brasília é assim. Em outros lugares, como Guarulhos ou Salvador, a simples distância do aeroporto ao centro da cidade já se encarrega de deixar a conta super-salgada.

Solução? Transporte público, nem que seja para sair de lá e pegar um táxi depois. Ah, sim... leve malas pequenas!

Aí vão algumas dicas, testadas e aprovadas por mim:
  • Brasília

    • Aeroporto

      • A parada de ônibus fica no setor Desembarque, em frente aos portões 1 a 4.

      • NOVO: Brasília já conta com ônibus executivos, com ar-condicionado, do Aeroporto para os principais pontos da cidade. A tarifa é R$ 8,00 e o trajeto cobre: Eixo Sul (parando nas estações de metrô 114 Sul, 108 Sul, 102 Sul e Galeria), Esplanada dos Ministérios e Setores Hoteleiros Norte e Sul. E o que é melhor: ao contrário dos zebrinhas, essa linha circula todos os dias, de 06h30 a 23h.

      • Outra opção, de 2ª a 6ª, de 07 às 20h, é o micro-ônibus laranja e branco apelidado de "zebrinha". Duas linhas fazem ponto no Aeroporto. Para a W3 Sul ou Norte (Setores Comerciais), pegar o nº 30. O nº 11, que segue pelo Eixo L Sul, é uma opção para quem vai à Rodoviária Interestadual, já que para em várias estações do metrô. A mesma linha também atende a Rodoviária do Plano Piloto (Conjunto Nacional). O nº 11 ainda vai para a Esplanada e L2 Norte, mas aí é melhor usar a linha executiva acima porque a linha dá muitas voltas. O preço do zebrinha é R$ 2,00 e do metrô R$ 3,00.

      • Os ônibus 102 e 102.1 vão para a Rodoviária do Plano Piloto, passando pelo Lago Sul (QI/QL 1 a 6), pela L2 Sul (quadras 410 a 416) e W3 Sul (quadras 516 a 502). O trajeto é ruim, por isso é melhor evitar estas linhas e usar o ônibus executivo acima.
    • Nova Rodoviária Interestadual

      • O metrô (R$ 3,00) fica em frente ao terminal (Estação Shopping). Atenção: nos fins de semana e feriados, o metrô fecha às 19h!

      • Se o metrô estiver fechado, o ônibus com ar 108.8 (R$ 2,00) vai para a Rodoviária do Plano Piloto, bem no centro da cidade, passando pela via W3 Sul, onde ficam os Setores Comercial Sul e Hoteleiro Sul. A linha circula até 23h, todos os dias.

  • São Paulo

    • Aeroporto de Congonhas

      • A parada de ônibus fica no setor de Embarque. Saindo do desembarque, faça uma meia-volta e atravesse todo o saguão do aeroporto até os balcões de check-in. Há um semáforo para travessia em frente à saída da Gol.

      • Para chegar ao metrô (para o centro ou Avenida Paulista), a melhor opção é o ônibus 675I (com a letra "i" mesmo, não é o número 1), sentido “Metrô São Judas”, do mesmo lado do aeroporto. Para a região de Santo Amaro (por exemplo, para ir ao Consulado dos Estados Unidos), a mesma linha, do lado oposto, sentido “Terminal João Dias”. Todos os dias de 04h40 à meia-noite. Ônibus + metrô: R$ 5,90 em dinheiro (o bilhete de integração em papel não existe mais), ou R$ 4,49 com o cartão eletrônico Bilhete Único, que pode ser adquirido em qualquer estação do metrô.

    • Aeroporto Internacional de Guarulhos

      • As paradas de ônibus ficam no setor de Desembarque. Os ônibus executivos (R$ 30) saem da calçada em frente ao terminal. Para o ônibus comum, atravesse até o canteiro central e procure pela placa que diz “Ônibus da EMTU”.

      • Os ônibus executivos requerem bilhetes, que são comprados dentro do terminal. Lá, o funcionário informará qual o melhor trajeto para você - são vários disponíveis: Barra Funda, Avenida Paulista, Centro/Hotéis, Aeroporto de Congonhas e Itaim Bibi.

      • Os ônibus comuns vão para o Metrô Tatuapé. É melhor pegar o número 257, que é expresso. O número 299 também vai para o metrô, mas leva uma eternidade pelas ruas da Zona Leste de São Paulo. Todos os dias de 05h à meia-noite (horários aqui). Ônibus + metrô: R$ 6,95

    • Rodoviária do Tietê

      • O metrô (R$ 2,90) fica ao lado do terminal.

  • Rio de Janeiro

    • Aeroporto Santos Dumont

      • A parada de ônibus fica no setor de Desembarque.

      • Ônibus executivos (R$ 8) fazem a ligação até a Zona Sul e a Barra da Tijuca. Na Barra, os ônibus passam na Avenida das Américas, região comercial, e não na Avenida Lúcio Costa, onde ficam os hotéis. O transbordo pode ser feito no primeiro ponto após o Elevado do Joá (em frente à Igreja São Francisco de Paula) para a linha 179 (sentido Alvorada ou Recreio), que passa nos hotéis.

    • Aeroporto Internacional do Galeão

      • A parada dos ônibus executivos fica no setor de Desembarque. A dos ônibus normais no setor de Embarque, mas a Avenida Brasil é desaconselhável para turistas.

      • Ônibus executivos (R$ 8) fazem a ligação até o Centro, Rodoviária, Zona Sul e a Barra da Tijuca. Para quem vai até a Barra da Tijuca, a melhor opção é via Linha Amarela. Quem vai para os hotéis tem que pegar o ônibus 179 (sentido Central) no Terminal Alvorada.

    • Rodoviária Novo Rio

      • Dentro do próprio terminal, há duas opções: a Integração Metrô (ônibus + metrô: R$ 3,70), e a Integração Barra (R$ 6,80). É recomendável utilizá-las: apesar de haver um terminal urbano próximo, a região não é das melhores.

  • Salvador

    • Aeroporto

      • A melhor opção é o ônibus executivo Aeroporto x Praça da Sé. Custa R$ 6,40 e passa pelos principais hotéis, centro e terminal marítimo.

  • Goiânia

    • Aeroporto

      • O aeroporto Santa Genoveva fica dentro da área urbana. Os ônibus (R$ 2,25) de número 258 (Centro) e 913 (Praça Cívica) vão para o centro da cidade.

  • Curitiba

    • Aeroporto

      • Ônibus executivos circulam de 06h à meia-noite e levam ao centro da cidade por R$ 8,00.

      • A famosa estação-tubo da cidade está presente no Aeroporto (setor desembarque). O Ligeirinho vai para Rodoferroviária e Centro (R$ 2,50).

    • Rodoferroviária

      • Tanto a estação-tubo do ligeirinho (cor cinza) quanto o ponto de parada do corredor biarticulado (cor vermelha) ficam em frente ao terminal. Para o centro, é melhor usar o biarticulado, sentido Campo Comprido (R$ 2,50).

28 de junho de 2009

7° Passeio Ciclístico Rodas da Paz - Eu fui!

Tive o enorme prazer de participar hoje do tradicional Passeio Ciclístico do Rodas da Paz. Foi uma grande festa, mas também um lembrete ao GDF: não esquecemos da promessa dos 600 km de ciclovias.

Parabéns ao pessoal do Rodas pela organização, que foi excelente!

No mais, fiquei surpreso em ver o número de bicicletas dobráveis por lá. Até brinquei com um colega, dizendo que era só procurar um casal com 2 Dahons que com certeza seríamos eu e minha esposa. Ledo engano: vi pelo menos 3 casais assim, um inclusive equipado com duas Curves aro 16. Até Bromptons apareceram por lá!

Com a falta de espaço das habitações atuais, as dobráveis são uma tendência irreversível mesmo.

10 de junho de 2009

Aluguel de bicicletas em Brasília suspenso - e tem gente comemorando

Ontem, o TCDF mandou suspender a licitação para escolha da empresa que operaria o sistema de aluguel de bicicletas aqui na capital federal. Agora vejam a reação da nossa "iluminada" imprensa, com alguns comentários meus:

A licitação de aluguel de bicicletas foi suspensa. Amém! Aluguel de bicicletas no DF parece a coisa mais ridícula que já passou por aqui, vamos combinar.

Os exemplos de Paris e São Paulo discordam.

Só queria entender: quem é que vai, em uma cidade geograficamente malvada com seus moradores, alugar uma bicicleta e sair para trabalhar para desafogar o trânsito?

A cidade é geograficamente excelente: relevo pouco acidentado, sete meses por ano de sol todo santo dia, e a baixa umidade do ar que faz com que você possa pedalar sem ficar todo suado. As "maldades" são construídas pelos habitantes daqui: as tesourinhas, as passarelas horrorosas sob o Eixão...

Alguém já parou para pensar que a maioria dos trabalhadores da cidade trabalham de terno ou roupa social? A maior parte desses funcionários “enternados” é funcionário público e jamais deixará o seu Civic para andar de bike por aí?

Existe uma grande invenção da humanidade tão velha quanto a gravata: o armário! Eu trabalho de terno e é lá (no trabalho) que os meus ficam. Gravatas podem ficar trancadas em alguma gaveta - todo servidor público que se preze tem uma. E eu não sei de onde ele tirou que "os servidores" andam de Civic. O salário com gratificações de um servidor de nível superior, com 10 anos de concurso, na carreira mais numerosa do serviço público é R$ 3.083,12.

Que os trabalhadores mais pobres da cidade mal têm dinheiro para pagar ônibus ou metrô, quem dirá para alugar um “camelo” para sair cidade afora?

Certo, mas entre o servidor do Civic (que não é nem de longe a maioria) e o faxineiro existe um mundo de gente. Além do mais, se a pessoa já tem que pagar R$ 3,00 para ir da Rodoviária até a Esplanada, por exemplo, de ônibus, ela pode pagar no aluguel da bicicleta, chegar mais rápido, e ainda fazer algum exercício.

Que nossos motoristas ainda não são educados para repeitar pedestres, tampouco ciclistas, e que correm o sério risco de aumentar o número de acidentes com eles?

Então, a cidade é dos motoristas. E quem quiser se arriscar que conte com sua própria sorte. O que vem primeiro: a eduação do motorista ou a ocupação da cidade pelos cidadãos? Acho que é mais fácil começar pela segunda opção.

Uma funcionária deste jornal, por exemplo, foi atropelada enquanto seguia a ideia do governo e usava bicicleta e ciclovia para vir trabalhar, há três semanas.


Parece que a culpa foi dela e/ou do governo, e não do motorista, que segundo o CTB tem o dever de proteger o ciclista.

6 de junho de 2009

Adeus, GM! (Por Michael Moore)

Link original: http://www.michaelmoore.com/words/message/index.php?id=248

Esta excelente tradução foi encontrada na Internet. Se você for o autor, identifique-se e eu terei imenso prazer em colocar seus créditos.


Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.

Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?

É com triste ironia que a empresa que inventou a "obsolescência programada" – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os "inferiores" carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para "melhorar" sua produtividade a curto prazo.

No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.

Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.

Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei - quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.

Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?

Já que a GM será "reorganizada" pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme "Roger & Eu", onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:

1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.

Estamos agora em um tipo diferente de guerra - uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.

As coisas que chamamos de "carros" podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas "coisas" irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.

A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão "chupando até o caroço". E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.

Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.

Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.

2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.

3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45º aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.

4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.

6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos - isso não é verdade)

7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.

8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.

9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.

Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.

Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente - e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway 1. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente - e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística - devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.

Ontem, a última sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos. Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as "Flint - Michigans" deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.